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Double Cup: De Ícone Cultural ao Marketing de Experiência (Matuê e Trap House)

  • Foto do escritor: Osvaldo Oliveira
    Osvaldo Oliveira
  • 11 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Se você acompanha a cena do Hip-Hop e do Trap, com certeza já viu a imagem: dois copos de isopor branco empilhados. O famoso Double Cup.


Ontem dia 10 de dezembro aconteceu em São Paulo a audição do Álbum XTRANHO do Matuê e o artista subiu ao palco segurando os Double Cup. Ao aparecer com o copo, Matuê não faz apenas uma escolha de estilo, mas uma afirmação de posicionamento de marca. 


Matuê segurando seu Double Cup ao subir no palco e cumprimentar seu público na audição do album XTRANHO (10/12/2025)
Matuê segurando seu Double Cup ao subir no palco e cumprimentar seu público na audição do album XTRANHO (10/12/2025)

O Double Cup foi criado nos Estados Unidos e ele tinha uma função: manter a bebida gelada por mais tempo (o isolamento duplo do isopor) e evitar que o copo transpirasse.


Com o tempo, o copo transcendeu seu uso original e se tornou um artefato cultural. Segurar um Double Cup virou um símbolo de status, de pertencimento à cena Trap.


Quando um artista do tamanho do Matuê utiliza o Double Cup em um evento importante como à audição do seu novo álbum, ele não esta apenas usando o copo para beber algo. Ele está enviando códigos visuais para sua base de fãs.


Double Cup em destaque centralizado na mesa.
Double Cup em destaque centralizado na mesa.

Ele está dizendo: “Eu conheço as raízes, eu faço parte dessa cultural global“. O Trap brasileiro, que hoje domina as paradas, bebe (literalmente e metaforicamente) dessa fonte estética americana. O uso do copo na audição cria uma atmosfera imersiva, transportando quem está assistindo para dentro do universo visual que as músicas propõem.


Ver isso me fez revisitar um projeto que realizei em 2017/18 aqui em Fortaleza-CE. Um evento intitulado: Trap House edição Double Cup.



Naquela época, meu objetivo era criar mais do que uma festa; eu queria criar uma vivência. Eu sabia que, para o público se sentir realmente conectado com a música, eles precisavam se sentir como os artistas que admiravam.


A estratégia foi distribuir os “Double Cups“ para o público. Não era só um brinde, era a sensação de segurá-lo, o mesmo copo que artistas de trap como Travis Scott, Future e Young Thung usavam em seus clipes e apresentações. 


Double Cup entregue aos participantes do evento. Aqueles que compravam ingresso camarote recebiam o copo com o seu nome.
Double Cup entregue aos participantes do evento. Aqueles que compravam ingresso camarote recebiam o copo com o seu nome.

Ao dar o copo para as pessoas, criamos uma identidade visual unificada para o evento. De repente, todos na pista faziam parte daquela estética, as fotos do evento ficaram incríveis porque o público compôs o cenário. Foi uma forma de trazê-los para dentro da cultura Trap, gerando senso de pertencimento imediato.


Tudo isso nos ensina uma lição valiosa sobre cultura e marketing atrelados a música: símbolos importam.


Seja na audição milionária de um álbum novo de um dos maiores astros do Trap no Brasil ou em um evento local como a minha Trap House, entender os códigos da sua comunidade é a chave para gerar conexão genuína.


Quando você entrega ao seu público os elementos que eles aspiram, você deixa de ser apenas um artista ou um organizador e passa a ser um facilitador da cultura.

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