Como Superar o Bloqueio Criativo - Técnica Bizarra Usada por Famosos
- Osvaldo Oliveira
- 11 de out. de 2024
- 5 min de leitura
Atualizado: 26 de mar. de 2025
Vivemos em um mundo acelerado, somos bombardeados por um turbilhão de informações. A facilidade de consumir e produzir conteúdo cria uma pressão enorme sobre os artistas, que precisam lançar novas obras a todo momento. Essa pressão por novidades constantes e a busca incessante pela validação do público, podem transformar a criação artística em uma tarefa árdua e, muitas vezes, paralisante. Essa urgência, muitas vezes, leva ao temido bloqueio criativo.
O que realmente é bloqueio criativo?
Bloqueio criativo é um estado mental que impede uma pessoa de gerar ideias ou soluções criativas para um problema. Pode ocorrer em qualquer área criativa, como escrita, design, música, entre outras.
O termo bloqueio criativo surgiu na década de 40 e foi criado pelo psiquiatra Edmund Bergler. Na época, Bergler estava estudando escritores que sofriam do que ele chamou de "inibições neuróticas de produtividade". Não é à toa que em inglês, bloqueio criativo é conhecido também como "writer's block" (algo como "bloqueio de escritor").
Qual o segredo para superar esses bloqueios?
O especialista em inovação e criatividade Kandarp Mehta tem uma estratégia bastante diferente e até mesmo contraditória:
O especialista em Marketing Digital Erico Rocha, também tem algumas estratégias para superar bloqueios criativos:
A melhor estratégia que já conheci:
Após me encontrar em situações de bloqueio criativo comecei a ler um livro que pela capa é bastante atraente "sei que não devemos julgar o livro pela capa", mas julguei pelo título, o livro se chama: Caos Criativo do escritor Tim Harford.

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Logo nos primeiros capítulos o livro me pegou com uma história sobre bloqueio criativo na música, era tudo que precisava naquele momento.
TRECHOS DO LIVRO
Em 1976, David Bowie voou para Berlim Ocidental. Esse astro da música, estranho e ambisexual, havia rasgado diversas vezes o livro de regras do rock, criando uma persona depois da outra - de Ziggy Stardust a Thin White Duke - até se ver travado.
"Foi um período perigoso para mim", refletiu Bowie, vinte anos depoi6s. "Eu estava no fundo do posso física e emocionalmente e tinha sérias dúvidas sobre a minha sanidade".
Bowie se instalou perto do muro de Berlim. Os estúdios Hansa, onde ele e Iggy Pop gravaram uma série de álbuns revolucionários,
Mas, em meio aos grandes museus, aos lendários clubes de fetichismo e à geopolítica tumultuosa de Berlim, Bowie encontrou o que precisava: novas ideias, novas restrições e novos desafios. E então, é claro, surgiu Brian Eno.
Agora Bowie o havia trazido para assumir um papel colaborativo indefinido ao lado de Tony Visconti.
Enquanto Visconti e Bowie se esforçaram para encontrar uma nova direção -, Eno se ocupou em aparecer no estúdio com um conjunto de cartas que chamava de “Estratégias oblíquas”, cada carta tinha uma instrução diferente e, em geral, elas eram minúsculas. Sempre que as sessões de estúdio iam para o atoleiro, Eno tirava uma carta ao acaso e repassava suas ordens estranhas.
Mas quem era esse produtor um tanto estranho?
Brian Eno é um músico, produtor e artista visual britânico que teve um impacto profundo na indústria da música. Ele é conhecido por sua abordagem inovadora e experimental à música, bem como por seu trabalho com uma ampla gama de artistas,
Eno nasceu em uma pequena cidade da Inglaterra em 1947. Ele começou a tocar música desde cedo e foi influenciado por uma ampla gama de gêneros, incluindo blues, rock and roll e música de vanguarda. Ele estudou arte na Winchester School of Art e começou a experimentar gravadores e sintetizadores.
No início dos anos 1970, Eno se juntou à banda de glam rock Roxy Music. Ele tocou teclados e sintetizadores nos três primeiros álbuns da banda e ajudou a criar seu som único. Ele também começou a produzir álbuns para outros artistas, incluindo John Cale e Nico.
Em meados dos anos 1970, Eno lançou seu primeiro álbum solo, "Here Come the Warm Jets". O álbum foi um sucesso de crítica e comercial e ajudou a estabelecer Eno como uma figura importante na música eletrônica. Ele lançou vários outros álbuns solos aclamados, incluindo "Taking Tiger Mountain by Strategy" e "Ambient 1: Music for Airports".
Eno também produziu álbuns para uma ampla gama de artistas, incluindo David Bowie, Talking Heads, Devo e U2. Ele é conhecido por sua capacidade de ajudar artistas a desenvolver seu próprio som único. Ele também foi um pioneiro no uso de música ambiente e lançou vários álbuns ambientes influentes.
Em 1983, Brian Eno escreveu e gravou o álbum Apollo: Atmospheres & Soundtracks com seu irmão Roger Eno e o produtor Daniel Lanois.
Sempre muito criativo e acostumado com experimentos não só na música, mas em várias áreas artísticas, Eno enfrentou momentos em que não conseguia avançar em suas criações, foi então que começou a utilizar um método para desbloquear sua mente.
Na década de 1970 Brian Eno e seu amigo e professor Peter Schmidt tendiam a se encontrar em situações em que se sentiam suficientemente estressados por seu trabalho em andamento que se esqueciam do estado de espírito em que estavam. Eles começaram separadamente a anotar algumas das coisas que mantinham em mente quando não estavam sob pressão (no caso de Peter Schmidt, isso assumiu a forma de The Thoughts Behind The Thoughts) uma espécie de baralho. Curiosamente, cada um deles tinha uma versão do que é essencialmente o mesmo insight e, então, no final de 1974, Schmidt e Eno os combinaram em um único baralho de cartas e os ofereceram para venda geral.
Foi aí que nasceu aquilo que o músico e compositor Carlos Alomar em um momento de tensão para entregar o próximo álbum de Bowie chamou de Estratégia Estúpida, mas que é amplamente conhecido por músicos, produtores e compositores em todo o mundo como Estratégias Oblíquas.
Estratégias Oblíquas. A técnica usada por famosos para criar algumas de suas melhores obras
Cada carta do baralho contém frases e instruções que desafiam o pensamento convencional e incentivam a exploração de novas ideias. Algumas das frases são: "Enfatize as diferenças", "Apenas continue", "Tente fingir" e "Como você teria feito isso?".
A primeira regra que criou foi sobre erros: Honre seu erro como uma intenção oculta. Eno notou ouvindo gravações de shows que os erros parecem imperceptíveis na hora por causa da ansiedade do momento. A regra é para lembrar que se algo der errado, não jogue fora imediatamente, apenas por um momento ouça e veja se há algo interessante.
TRECHO DO LIVRO: Caos Criativo
Esse processo de trabalho estranho e caótico produziu dois dos álbuns mais aclamados pela crítica na década, Low e Heroes, junto com as obras mais respeitadas de Iggy Pop, The idiot e Lust for life, co escritas por Bowie e que se beneficiaram dessa mesma abordagem bagunçada. Low foi talvez a mais corajosa reinvenção na história do pop.
As cartas deixavam os músicos loucos. (Esse incômodo não poderia ser surpresa para Eno. Durante a gravação de um álbum anterior de Eno, Another Green World, as cartas levaram Phil Collins, o baterista superstar do Gênesis, a jogar latas de cerveja através do estúdio, em frustração.)
Outros músicos inspirados por Estratégias Oblíquas:
incluem a banda britânica Coldplay, que teria usado as cartas ao gravar seu álbum de 2008 produzido por Brian Eno, Viva la Vida or Death and All His Friends, e a banda francesa Phoenix, que usou as cartas ao gravar seu álbum de 2009 Wolfgang Amadeus Phoenix.
Sobre as edições do Baralho:
Após a morte repentina de Schmidt no início de 1980, os baralhos de cartas se tornaram bastante raros e caros. Com o interesse inabalável do público pelas cartas, em 2001 Eno produziu novamente um novo conjunto de cartas Oblique Strategies. O número e o conteúdo das cartas variam um pouco de edição para edição. Em maio de 2013, foi lançada uma edição limitada de 500 caixas em bordô em vez de preto.
Considerações finais:
Essa estratégia é para mim a melhor para artistas com bloqueios criativos. Quando descobri essa estratégia busquei em todos os lugares possíveis maneiras de adquiri-lo, até pensei em importá-los dos Estados Unidos, mas não é tarefa fácil. Foi então que descobri um vídeo que mostra o produtor musical utilizando um aplicativo no Iphone, e apesar do vídeo ter aproximadamente 10 anos eu busquei na loja de aplicativos do meu celular para ver se ainda estava disponível e está. É, possível baixar o aplicativo tanto para Android quanto para iOS.

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